Nessa vida todo mundo critica, e todo mundo é criticado. Mas existem críticas e críticas… e eu acho que a palavra crítica é bem diferente de “falar mal porque eu não gosto”.
Eu tinha certo problema em aceitar críticas, mas hoje em dia eu aprendi a ouvir, filtrar, e considerar o que acho relevante para melhorar. Porque, não adianta, em qualquer lugar que você for mostrar seu trabalho, você receberá críticas. Então, ficar chateado com elas é estúpido. Mesmo que você não goste do que foi dito, tente considerar o porque daquela pessoa ter te dito aquilo.
Logicamente que, como eu disse antes, criticar não é apenas falar mal por falar. Muitas vezes pessoas criticam por inveja, porque não gostam de você, ou porque o seu trabalho não se encaixa no gosto pessoal daquele indivíduo. Se você for considerar a opinião pessoal de todas as pessoas que olham seus trabalhos, você nunca vai definir um estilo, porque ao tentar agradar a todos, você acaba não agradando a si mesmo.
Outra coisa: ao criticar o trabalho alheio, tenha argumentos. Se existe uma coisa que eu detesto absurdamente é a “crítica genérica”. Quer coisa pior do que alguém olhar suas coisas e dizer: “Já vi coisa melhor”, ou “é legal, mas pode melhorar” ou “acho que você deveria tentar algo diferente”.
“Já vi coisa melhor”? Obviamente já, assim como já deve ter visto coisa pior. Isso não é algo que se diga, a não ser que se tenha um parêmetro do que é melhor e porque é melhor. Ninguém cresce com esse tipo de observação.
“É legal, mas pode melhorar”. Ok, por que é legal e o que pode melhorar? Se você não sabe dizer os motivos, não diga isso. Melhorar todo mundo pode, a não ser que a pessoa esteja morta. Seja preciso quando disser que alguém pode melhorar alguma coisa, saiba o que está falando, se não, é melhor não dizer nada.
“Eu acho que você deveria tentar algo diferente”. Mesma coisa… diferente de que e porque eu deveria fazer diferente? O estilo está muito batido, todo mundo faz isso, estou com alguma deficiência na técnica, essa não é a melhor opção para a área que procuro? Uma crítica nunca será bem assimilada ou aceita se não tiver o mínimo de embasamento.
Se você quer saber como criticar um trabalho, uma boa dica é ler esse texto aqui, escrito pela Goblin Queen, e traduzido pela Elisa Kwon.
E por último, ao criticar um trabalho, lembre-se de:
- Criticar algo apenas quando requisitado, se não você pode causar má impressão.
- Tente afastar seu gosto pessoal da crítica. Sei que é difícil, mas mesmo que você não curta o estilo de certa pessoa, não quer dizer que ela seja ruim. Deixe isso claro. O contrário também é válido: se você adora aquele estilo, ou é amigo daquela pessoa, vai acabar sendo parcial. Então tente ser o mais neutro possível.
- Elogios também fazem parte da crítica. Se a pessoa faz algo muito ruim, mas ao mesmo tempo é muito boa em outro aspecto, não deixe de dizer isso também.
- Não critique se você não sabe o que falar. Melhor ficar na sua do que dizer algo que pode causar desconforto em ambas as partes.
- “Gostei” e “não gostei” não são críticas, são opiniões. Opinião, como dizem, é igual a… (vocês sabem), cada um tem a sua.
Uma oportunidade ou um desserviço à categoria?
Após várias discussões na lista de design da minha faculdade da qual participo, achei que seria importante divulgar esse texto. É voltado para design gráfico, mas também se aplica a concursos de ilustração.
Texto de Ruth Klotzel
publicado em 26/07/2007 no Portal Design Brasil
Recentemente, depois de ter começado a escrever este artigo, estive envolvida em uma peleja a respeito de um concurso para identidade visual mal formulado e muito desfavorável para a categoria dos designers. Não quero aqui mandar nenhum recado. A intenção é de discutir questões éticas importantíssimas que muitas vezes passam desapercebidas, camufladas pelos atrativos de concursos charmosos e aparentemente inofensivos.
A prática de concursos tem sido utilizada larga e inescrupulosamente, mesmo por pessoas bem intencionadas, ignorando as fronteiras da ética da profissão, por vezes sob a justificativa de dar oportunidades para designers.
Freqüentemente empresas ou instituições lançam mão de concursos como forma de obter várias opções de projeto a um custo muito baixo. Jovens designers, atraídos pela oportunidade, e designers experientes, seduzidos por alguma situação desafiadora, muitas vezes caem nessa armadilha. O atual panorama de falta de oportunidades e perspectivas na área de design faz com que muitos aceitem regras predatórias e valores que seriam completamente inadequados para a contratação ao realizarem trabalhos para concursos.
Tem-se trabalhado em grupos e associações de design no sentido de defender o status da profissão e a qualidade de nosso trabalho através do estabelecimento de alguns padrões internacionais. Como vice-presidente do Icograda (International Council of Graphic Design Associations*), participo de discussões e da elaboração de documentos de recomendações de conduta, nos quais me baseei para discorrer sobre o assunto.
É preciso distinguir as várias formas de concurso, portanto, utilizo daqui por diante dois termos: premiações e contratação de trabalho através de concursos (abertos ou fechados, dirigidos especificamente a convidados).
As premiações têm o intuito de avaliar e reconhecer trabalhos já existentes, elevar o padrão do design, promover um melhor e mais extenso uso do design, ilustrar e definir medidas correntes e destacar sinalizadores sociais, culturais e econômicos que podem influenciar futuros projetos de design.
Os concursos do tipo aberto configuram-se como prática especulativa, mobilizando uma quantidade muito grande de pessoas, sem nenhum compromisso do organizador, resultando em uma diversidade de soluções para serem escolhidas à vontade. A relação com o contratante é superficial, limitando-se à descrição do edital, o que pode comprometer a qualidade do resultado, além de que, muitas vezes, a premiação é de valor menor do que o de uma contratação direta do mesmo trabalho.
Defendemos concursos fechados, mediante convite, remunerando todos os contratados para uma fase de pré-seleção, após a qual o escolhido será contratado para desenvolver o trabalho mediante um novo orçamento.
O sucesso de uma premiação depende muito de suas regras e vale lembrar que a reputação do organizador de um concurso também está em jogo. O Icograda desenvolveu documentos e oferece orientação a organizadores no desenvolvimento de editais, regras de conduta e seleção do juri, recomendando que seus membros não compitam ou participem como jurados em premiações que não estejam de acordo com essas normas recomendadas.
Em defesa da qualidade do design
Devo dizer que, como designer, ex-diretora da ADG (Associação de Design Gráfico) e atual vice-presidente do Icograda, respeito as recomendações dos órgãos e entidades que zelam pela profissão e pela qualidade do design gráfico, defendendo o profissional e seu cliente, que terá resultados positivos na medida em que puder contar com o maior profissionalismo da classe. Devemos nos recusar a participar de concorrências que são desleais ou desrespeitosas para com a nossa categoria, esclarecendo e educando a sociedade a respeito da importância de nosso trabalho.
Recomendações do Icograda para
a organização de premiações e concursos
(veja no artigo original)
Ruth Klotzel é designer gráfica, co-fundadora da ADG/Brasil em 1989, professora do Senac e vice-presidente do Icograda para as gestões 2003-2005 e 2005-2007. O Icograda, Conselho Internacional das Associações de Design Gráfico, é uma entidade mundial, fundada em 1963, constituida por uma assembléia voluntária de associações de 57 países, ligadas ao design gráfico, comunicação visual, gerenciamento, promoção e educação em design. É membro fundador, juntamente com ICSID (International Council of Societies of Industrial Design) do IDA (International Design Alliance), aliança que congrega design gráfico e industrial. Site: www.icograda.org . E-mail: rklotzel@icograad.org
Direitos de autor liberados: É autorizada a reprodução integral deste texto, sem fins lucrativos, em qualquer meio de comunicação de caráter informativo, desde que citados o nome do autor, a data original da publicação e a fonte – Portal Design Brasil – www.designbrasil.org.br.
Vontade de escrever. Escrever histórias, sabe? Várias que permeiam minha cabeça mas nunca realmente consigo colocar no papel (ou num editor de texto). E por que? Como diz o Rafael Barbi, escrever é a coisa mais difícil do mundo. Ok, não vamos exagerar, não é tão difícil escrever, difícil é escrever algo bom, assim como tudo no mundo. Quero dizer, você pode fazer o que quiser, que pode até ser fácil, difícil é fazer ficar bom e os outros realmente gostarem do que você fez.
E esse é meu grande problema com escrever. Escrever bobagens num blog é algo, escrever uma história que seja boa e bem escrita é a grande questão.
Eu sei, eu me cobro muito em tudo que eu faço. É esse o grande motivo de muitas e muitas vezes eu não conseguir completar coisas que começo. Eu quero ser 100% em tudo, mas quando consigo somente ser 80%, eu desanimo, mesmo que eu esteja no começo, e seja normal ser 80%, ou até bem menos. Aí, no final, eu nunca consigo ser 100% em porcaria nenhuma e fico um poço ambulante de frustração.
É, eu sou um ser difícil. Difícil de conviver, difícil de agradar, difícil. Nem eu mesma consigo fazer algo que eu goste. E às vezes o que eu gosto é muito esquisito (lembrem-se, eu gosto de AFI, a banda mais “gosto duvidoso” ever). Então, pra eu gostar, tem que ser bom e estranho, o que com certeza acaba distorcendo o “bom”.
Concluindo, eu tenho vontade de escrever histórias, mas elas são muito estranhas, e é difícil fazer o estranho ficar bom, ainda mais no meu nível de cobrança. Resultado: não escrevo nem o que tenho vontada nem o que preciso escrever. E acabei foi escrevendo um post grande e meio inútil.
