Complementando o último post, sobre ser freelancer.
Muita gente tem dificuldade em calcular quanto cobrar por um trabalho. O ideal, eu acho, é cobrar por hora. Se você sabe mais ou menos quantas horas vai gastar para fazer aquele determinado trabalho, você multiplica pelo seu preço de hora e tem um valor estimado. Mas sempre cobre a mais, porque 100% dos clientes vão querer barganhar esse valor.
Pra calcular o custo da sua hora, você deve somar TODAS as suas despesas básicas (material, luz, internet), e a partir daí, colocar seu preço em cima. Se sua hora básica custa 10 reais (ou seja, 10 reais pagam todas as suas despesas naquela hora), você vai cobrar 10 + X, sendo X o seu salário. Se você cobrar 10, vai trabalhar de graça, pois isso vai cobrir apenas despesas que você já teve para fazer aquele trabalho (espero não estar sendo redundante).
Vamos dar um exemplo: você tem que fazer um desenho, que você sabe que vai te tomar cerca de 2 horas. Você cobraria 20 reais (horas básicas) + 100 reais (valor do trabalho em si – 50 reais a hora, seu salário) + 30 reais (valor de negociação), que dá um total de 150 reais. Se o cliente chorar, você faz 140. Se chorar mais, você faz 130. Aí ele vai querer 120 e você fecha o negócio pelo valor apropriado. Não estou dizendo que esses são os valores que você vai cobrar de verdade. Apenas você, e mais ninguém, sabe o valor da sua hora, e do seu trabalho.
Update: Esse valor de hora básica só vale se você trabalha em casa e usa seu próprio material. Existem empresas que contratam freelas e os chamam para trabalhar na própria estrutura, e já têm um valor fixo de hora ou dia para esses profissionais. Cabe a você decidir se esse valor vale a pena para aceitar o trabalho.
Se optar cobrar por trabalho, você pode fazer uma tabela de preços com as coisas mais comuns que as pessoas te pedem, e cobrar mais ou menos de acordo com a complexidade/tipo de trabalho. Mas, no mesmo caso da hora, sempre cobre aquele mínimo de despesas e a margem extra para negociar.
Mais alguma diquinhas básicas de sobrevivência:
- Um desenho para o logo da lojinha da esquina, vale bem menos que um para a campanha da Coca-Cola. Assim como um texto para o jornal do bairro, vale menos que um para a Folha de São Paulo. Tenha em mente o tipo de cliente na hora de colocar um preço.
- Não adianta um valor muito alto pra um cliente que não tem como te pagar, mas também não aceite trabalhar por qualquer coisa, apenas para trabalhar. Lembre-se que você precisa do cliente, mas ele precisa mais de você. Nada mais frustrante que ralar igual um condenado e receber mixaria. Trabalhar por ‘divulgação’ é furada (a não ser que você esteja fazendo um favor para um amigo ou um projeto pessoal, trabalhar de graça não vale o stress). Até porque, empresas sérias pagam pelos trabalhos, mesmo que não os usem.
- Nunca pegue algo que você não dá conta de fazer, mesmo que o cliente pague bem. Honre seus compromissos. Se não você queima seu filme, e perde um bom cliente que poderia te chamar mais vezes.
- Não adianta querer pegar grandes clientes sem ter um trabalho realmente bom, e conhecido (é por isso que um desenho do Ziraldo vale mais que o meu).
- Se o cliente quer nota fiscal, lembre-se que você pagará impostos (e deve incluí-los no custo do seu trabalho).
- Se o prazo é apertado e você terá que virar a noite, cobre adicional noturno.
- Algo que será publicado uma vez, custa bem menos que algo que será publicado várias vezes, ou em uma tiragem bem maior. Saiba negociar os direitos de reprodução da sua imagem/texto, ou que for. E tenha isso registrado por escrito em contrato. Se não você faz um desenho para sair num canto de página, ele aparece na capa, e você não recebe nada a mais por isso.
- Nunca (repito, NUNCA) entregue seus originais para um cliente. Ele está pagando pela criação e reprodução da imagem, não pela obra original. Se você quiser vender seus originais, cobre um preço à parte, como se vendesse uma obra de arte.
- Se um cliente não gostou do seu trabalho, e pediu para você mudar (e acredite, ele VAI PEDIR), engula o orgulho e MUDE . Você está fazendo algo pra ele, e não pra você. Mas lembre-se de incluir um certo número de mudanças no orçamento escrito, para que ele não abuse desse recurso (lógico que mudanças mínimas podem ser feitas de graça). A partir desse número, cobre um adicional a cada mudança pedida. Isso evita mudanças desnecessárias ‘só pra ver como vai ficar’. Se o cliente quer que você refaça o trabalho, você pode pedir um adiantamento antes de mudar, porque se não, corre o risco dele simplesmente desistir de você e não querer te pagar.
- Seja gente boa, aceite críticas, saiba argumentar, mas sem parecer arrogante. O cara pode ser o maior idiota do mundo, mas ele está te pagando, certo? Coloque-se no lugar dele: se você estivesse contratando alguém pra trabalhar pra você, talvez você agisse igual. E mesmo que você nunca mais vá trabalhar com ele, tente manter boas relações, ou ele pode falar mal de você para outro cliente em potencial.
Update 2: Dois sites indicados pela Julia Morena, em comentário no post anterior, que podem dar uma ajudinha: freelanceswitch.com (em inglês, mas tem tudo que um freela possa precisar, inclusive ofertas de trabalho no mundo todo) e efetividade.net (várias dicas para otimizar seu trabalho ou facilitar sua vida profissonal – em casa ou em escritório). Dei uma olhada neles, sem me aprofundar muito, mas acho que ambos merecem uma visita.
3 comentários para “Essa vida de freela II”
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Pronto! Não preciso fazer mais posts
!!! Huahuahauahuahua!
Vou voltar a escrever sobre brigas na net XD e você fica com a parte dos tutoriais! Hehehe……
Ah, posso acrescentar mais sobre a pechincha: se for 150, cobre 200! Aê o cliente chora… Vai querer 190, aê você diz 180, e ele diz 170 e não se fala mais nisso
. E você fecha!!! ^^ Eu faço isso, às vezes, huahuahauhau!!!
Tá ficando boa de dica, hein?
Aliás… me cafundi…
.
O cliente iria, no caso querer 170…. É ao contrário
Mas, uórevar… cê entendeu! Cobrar a mais pra quando ele pechinchar, ficar no preço que é mesmo
.
ahaha, pois é, eu deveria escrever mais dicas. Quem sabe um dia não fico famosa e escrevo um livro, saio dando palestras… ok, parei.
Mas cliente é foda mesmo, sempre tenta pechinchar, por isso melhor cobrar a mais, porque em último caso, se ele topar, você sai lucrando. =)