Siiiiiim, eu vi Coraline (em 3D) sexta-feira (13). É simplesmente incrível! Tem algumas diferenças do livro, como toda adaptação pra cinema, mas não é nada que atrapalhe – muito pelo contrário, até acrescenta à história. Eu sempre fico com pé atrás quando as pessoas inventam coisas pra colocar nos filmes que acabam “estragando” a obra original, mas conseguiram fazer isso com esmero dessa vez. Henry Selick é gênio!
O stop motion é perfeito, os personagens são cativantes e “reais”. E ainda tem o detalhe que eu gostei no livro e no filme também fazem: não explicam hora nenhuma o que é a Bela Dama. E por que? Porque não faz diferença… e não tem explicação! É fantasia, oras. Prefiro não saber o que é, do que inventarem uma explicação idiota que tira toda a mágica do filme. E, ainda bem, não fazem isso.
Como gostei muito do filme, resolvi fazer um desenho da bonequinha de olhos de botão da Coraline, no meu curso de pintura e ilustração da Quanta. Fiz todo com tinta acrílica (imagem acima, clique nela pra ver maior).
Fazia tempos que eu não usava tinta densa (estava numa onda aquarela), então foi bom praticar de novo. Espero que o resultado tenha ficado bom, mas preciso treinar (muito) mais.
Gostaria então de mostrar algo que já está pronto há um bom tempo, mas nunca cheguei a postar, porque é vídeo e eu sempre tinha preguiça de fazer upload no Youtube. Mas, enfim, tomei vergonha na cara e fiz! Uhul!
Esse é o vídeo final para o Curso Abril de Jornalismo, que fiz no início do ano. Era uma animação para um canal do site da Revista Recreio. Basicamente é uma animacão sobre um garoto que pode desenhar coisas na sua tablet (!) e elas criam vida. Logicamente a história é bem mais complexa, ele tem amigos, família, existem outros personagens, houveram vários outros roteiros, mas esse acabou virando o projeto. Enfim… espero que curtam. =)
Eu fiz desenho de personagem e cenários. A animação e storyboard é do meu amigo Samir Carvalho, que também desenhou personagens. O roteiro é do Filipe Vilicic e Francisco Passarelli, argumento de Gisela Blanco e do Samir. O design das outras peças do projeto é do Alberto Lins (ele também me ajudou com o ‘look’ dos personagens, o character design). Na verdade, todos palpitamos na história e no roteiro, mas esse são os créditos oficiais.
E a trilha sonora foi montada pelo incrível Daniel Zimmerman (que já tocou com o AFI em seus primórdios! hihi^^).

É nesse joguinho pro site da revista Super Interessante que tenho trabalhado nas últimas semanas. Hoje ele finalmente ficou pronto e está todo no ar. É algo meio CSI, onde você recolhe pistas para desvendar um crime que foi apresentado nas páginas da revista desse mês. Mas não precisa ler a revista para jogar. Eu fiz o design de parte da cena 4 e da toda a cena 5.
Complementando o último post, sobre ser freelancer.
Muita gente tem dificuldade em calcular quanto cobrar por um trabalho. O ideal, eu acho, é cobrar por hora. Se você sabe mais ou menos quantas horas vai gastar para fazer aquele determinado trabalho, você multiplica pelo seu preço de hora e tem um valor estimado. Mas sempre cobre a mais, porque 100% dos clientes vão querer barganhar esse valor.
Pra calcular o custo da sua hora, você deve somar TODAS as suas despesas básicas (material, luz, internet), e a partir daí, colocar seu preço em cima. Se sua hora básica custa 10 reais (ou seja, 10 reais pagam todas as suas despesas naquela hora), você vai cobrar 10 + X, sendo X o seu salário. Se você cobrar 10, vai trabalhar de graça, pois isso vai cobrir apenas despesas que você já teve para fazer aquele trabalho (espero não estar sendo redundante).
Vamos dar um exemplo: você tem que fazer um desenho, que você sabe que vai te tomar cerca de 2 horas. Você cobraria 20 reais (horas básicas) + 100 reais (valor do trabalho em si – 50 reais a hora, seu salário) + 30 reais (valor de negociação), que dá um total de 150 reais. Se o cliente chorar, você faz 140. Se chorar mais, você faz 130. Aí ele vai querer 120 e você fecha o negócio pelo valor apropriado. Não estou dizendo que esses são os valores que você vai cobrar de verdade. Apenas você, e mais ninguém, sabe o valor da sua hora, e do seu trabalho.
Update: Esse valor de hora básica só vale se você trabalha em casa e usa seu próprio material. Existem empresas que contratam freelas e os chamam para trabalhar na própria estrutura, e já têm um valor fixo de hora ou dia para esses profissionais. Cabe a você decidir se esse valor vale a pena para aceitar o trabalho.
Se optar cobrar por trabalho, você pode fazer uma tabela de preços com as coisas mais comuns que as pessoas te pedem, e cobrar mais ou menos de acordo com a complexidade/tipo de trabalho. Mas, no mesmo caso da hora, sempre cobre aquele mínimo de despesas e a margem extra para negociar.
Mais alguma diquinhas básicas de sobrevivência:
- Um desenho para o logo da lojinha da esquina, vale bem menos que um para a campanha da Coca-Cola. Assim como um texto para o jornal do bairro, vale menos que um para a Folha de São Paulo. Tenha em mente o tipo de cliente na hora de colocar um preço.
- Não adianta um valor muito alto pra um cliente que não tem como te pagar, mas também não aceite trabalhar por qualquer coisa, apenas para trabalhar. Lembre-se que você precisa do cliente, mas ele precisa mais de você. Nada mais frustrante que ralar igual um condenado e receber mixaria. Trabalhar por ‘divulgação’ é furada (a não ser que você esteja fazendo um favor para um amigo ou um projeto pessoal, trabalhar de graça não vale o stress). Até porque, empresas sérias pagam pelos trabalhos, mesmo que não os usem.
- Nunca pegue algo que você não dá conta de fazer, mesmo que o cliente pague bem. Honre seus compromissos. Se não você queima seu filme, e perde um bom cliente que poderia te chamar mais vezes.
- Não adianta querer pegar grandes clientes sem ter um trabalho realmente bom, e conhecido (é por isso que um desenho do Ziraldo vale mais que o meu).
- Se o cliente quer nota fiscal, lembre-se que você pagará impostos (e deve incluí-los no custo do seu trabalho).
- Se o prazo é apertado e você terá que virar a noite, cobre adicional noturno.
- Algo que será publicado uma vez, custa bem menos que algo que será publicado várias vezes, ou em uma tiragem bem maior. Saiba negociar os direitos de reprodução da sua imagem/texto, ou que for. E tenha isso registrado por escrito em contrato. Se não você faz um desenho para sair num canto de página, ele aparece na capa, e você não recebe nada a mais por isso.
- Nunca (repito, NUNCA) entregue seus originais para um cliente. Ele está pagando pela criação e reprodução da imagem, não pela obra original. Se você quiser vender seus originais, cobre um preço à parte, como se vendesse uma obra de arte.
- Se um cliente não gostou do seu trabalho, e pediu para você mudar (e acredite, ele VAI PEDIR), engula o orgulho e MUDE . Você está fazendo algo pra ele, e não pra você. Mas lembre-se de incluir um certo número de mudanças no orçamento escrito, para que ele não abuse desse recurso (lógico que mudanças mínimas podem ser feitas de graça). A partir desse número, cobre um adicional a cada mudança pedida. Isso evita mudanças desnecessárias ’só pra ver como vai ficar’. Se o cliente quer que você refaça o trabalho, você pode pedir um adiantamento antes de mudar, porque se não, corre o risco dele simplesmente desistir de você e não querer te pagar.
- Seja gente boa, aceite críticas, saiba argumentar, mas sem parecer arrogante. O cara pode ser o maior idiota do mundo, mas ele está te pagando, certo? Coloque-se no lugar dele: se você estivesse contratando alguém pra trabalhar pra você, talvez você agisse igual. E mesmo que você nunca mais vá trabalhar com ele, tente manter boas relações, ou ele pode falar mal de você para outro cliente em potencial.
Update 2: Dois sites indicados pela Julia Morena, em comentário no post anterior, que podem dar uma ajudinha: freelanceswitch.com (em inglês, mas tem tudo que um freela possa precisar, inclusive ofertas de trabalho no mundo todo) e efetividade.net (várias dicas para otimizar seu trabalho ou facilitar sua vida profissonal – em casa ou em escritório). Dei uma olhada neles, sem me aprofundar muito, mas acho que ambos merecem uma visita.
Esses dias eu li uma matéria na revista Gloss, e depois a Tati fez um post no blog dela sobre ser freelancer. A princípio, parece uma coisa boa: trabalhar em casa, fazer seus horários… mas também tem seus problemas, como trabalho num mês e no outro não, nenhuma garantia trabalhista, atrasos no pagamento. Por isso, antes de largar seu emprego ‘normal’ e seguir como freela, é necessário ter alguns cuidados.

Charge: freelanceswitch.com
- Um bom portfolio fala mais que mil palavras. Tenha sempre uma boa amostra (sempre os MELHORES) de seus trabalhos, e mantenha-se atualizado. Não coloque no portfolio trabalhos que você não quer fazer e seja coerente no tipo de trabalho mostrado para cada cliente. Não adianta mostrar página de quadrinhos de super herói para agências de publicidade, ou ilustrações adultas para editoras infantis.
- Ter uma poupança é fundamental. Você precisa se manter até receber o primeiro pagamento, certo? Por isso, faça as contas de quanto você precisa para viver em um mês e junte o dobro disso. Só assim você estará seguro caso o primeiro pagamento demore. Tem empresas que só pagam 30 dias após o recebimento do trabalho, ou te colocam na folha de pagamento do próximo mês. Trabalhos para órgãos públicos, podem demorar até 2 meses. Por isso, ter uma grana guardada é algo necessário. E não só para começar. Guarde sempre o que ’sobrar’, para meses que o trabalho for escasso.
- Lembre-se que freelancers não têm nenhuma garantia trabalhista do governo. É bom recolher INSS por sua conta, nem que seja o mínimo. Caso você sofra um acidente e não possa trabalhar mais, pelo menos um salário mínimo de pensão está garantido. Fora que um dia você poderá se aposentar.
- Algo MUITO importante: organize seu tempo. Tenha hora para acordar, pra começar e para parar. A não ser que seja algo muito urgente e você precise virar uma noite, não faça disso sua rotina. E tente não ficar de pijama o dia todo. Você está em casa, mas não está de férias.
- Faça contratos com seus clientes. Não aceite nada no boca a boca. Faça orçamentos, imprima ou envie por e-mail para o cliente aprovar, sempre por escrito. Tenha TUDO registrado. E sempre coloque data de validade no seu orçamento (até 30 dias).
- Acerte muito bem as datas de entrega do trabalho e de pagamento. Dependendo do serviço, cobre uma parte adiantado. Acerte preço de modificações no trabalho fora do combinado. Você pode comprar um gerador de boleto bancário para enviar para os clientes com vencimento na data marcada para o pagamento. Daí, caso ele atrase, o banco cobrará multa e juros. Alguns cliente exigem nota fiscal do serviço, veja se você tem condições de oferecer isso (é necessário abrir empresa, ou usar a de alguém que você conheça, e claro, pagar impostos).
- Se quiser tirar férias, se organize com antecedência, junte dinheiro, e procure tirar a folga em uma época do ano em que você seja menos procurado (para não acabar perdendo um trabalho bom ou um cliente).
Bom, essas são as minha dicas, pelo que já vivi, e por vários amigos que trabalham como freelas. Espero ajudar alguém com elas. Não, eu não trabalho mais como freela, eu sou designer auxiliar do site da revista Super Interessante. Mas nunca se sabe o dia de amanhã, né? hehe
Update: passeando no google eu achei esse site freela.com.br, onde vários profissionais freelas colocam seus portfolios diponíveis por categorias e há várias ofertas de trabalhos. Também é uma comunidade, onde as pessoas visitam e avaliam seu portfolio, escrevem depoimentos, etc. Parece bem interessante, acho que vale pelo menos a visita.
Nada como ver um personagem seu ganhando vida! Ainda mais pelas mãos de um cara tão talentoso na confecção de bonecos como o .faso, do .marcamaria. Veja aqui estão as fotos do processo de criação.
Guto, o Bebê Brócolis, surgiu de um sonho que tive. Desenhei, as pessoas gostaram, e eu sempre quis tranformá-lo em boneco. Foi então que o .faso me fez a proposta.
Pessoalmente achei MUITO fofinho. Acho que foi uma parceria muito boa. Vou negociar com ele, para fazermos bonecos pra vender. Quem quer levanta a mão!
Recebi um e-mail da Carol, me perguntando sobre minha jornada como designer, e resolvi transformar em post. =)
Eu formei em Design Gráfico na UEMG em dezembro de 2006. Trabalhei a maior parte do tempo fazendo interfaces em Flash, desenhos e animações pra web (como consta no meu currículo). Daí no final de 2007 eu me inscrevi para o Curso Abril de Jornalismo, passei na seleção, me mudei pra SP e fiz o curso. O trabalho de conclusão foi uma animação para o site da revista Recreio.
Depois desse curso eu fiquei na Editora Abril como trainee de design, e agora trabalho em diagramação de revistas e peças publicitárias. Trabalhei 3 meses na revista Capricho (veja meu portfolio no Flickr) e agora trabalho na Abril Coleções (no momento, com a Cinemateca Veja).
Eu arranjei meu primeiro estágio no segundo período de faculdade, e a partir daí, fui montando portfolio, correndo atrás de oportunidades, e as coisas foram acontecendo. No momento estou meio focada no programa de trainee, mas eu queria fazer uma especialização em Design Digital na Faap, espero que ano que vem (vai depender de diverso$ fatore$).
O mercado de design é imenso… é preciso focar no que se quer fazer, e ir em frente. Procurar se especializar, montar um portfolio bacana com aquilo no qual pretende trabalhar e ir atrás dos lugares que podem te oferecer tais oportunidades.
Obviamente que os primeiros trabalhos não serão aqueles ‘dos sonhos’ (ou serão, vai que dá sorte, né?), mas sempre é uma chance para crescer e aprender, ou no mínimo adicionar mais algumas coisas no portfolio, até chegar onde quer.
E duas dicas importantes (pode parecer clichê, mas é verdade): NÃO SE ACOMODE e não desista NUNCA! Se não estiver satisfeito com o seu trabalho, procure outra coisa. Não deixe aquela grana certa no fim do mês te impedir de correr atrás de algo melhor! Você não precisa pedir demissão para procurar, certo? Esteja sempre com seu portfolio atualizado para possíveis entrevistas.
Eu trabalho desde 2002 e não fiquei mais de um ano em nenhum estágio. Sempre corri atrás de algo diferente quando achava que o trabalho tinha estagnado no aprendizado, e mudei sempre que me apareceu uma oportunidade nova. Aproveite o tempo da faculdade, ele serve para você estudar e ganhar experiência. Se você ficar 4 anos fazendo estágio no mesmo lugar, isso pode matar seu currículo. A não ser que você trabalhe num lugar onde você realmente goste e se desenvolva, e que exista a oportunidade REAL de você ser contratado depois que acabar o estágio (porque se não, acaba seu contrato, te dispensam e colocam outro estagiário no seu lugar).
Terminou a faculdade? Hora de enfrentar o mundo real… e sem experiência e um bom portfolio, você não consegue um bom emprego/trabalho freela. Se você tiver um portfolio chulé, será contratado por uma empresa chulé, com salário chulé, para trabalhos chulé (com clientes piores que chulé). Portanto, invista em você e na sua formação profissional DIREITO. E isso não vale somente pra designers.
Bom, eu mudei. Mudei porque não aguentava mais o layout antigo. Ainda tenho alguns vários ajustes pra fazer, mas pelo menos a cara está nova. E a idéia é ir mudando essa cara com mais freqüência, pro blog ficar menos chato. Agora falta o portfolio. O problema é que eu não consigo ter uma idéia de um tema que eu vá gostar para manter por um certo tempo, como foi o caso das ilustras do meu tcc. Talvez porque as cores tiveram ajuda do Ig, então eu gosto mais porque não foi totalmente meu. Mas uma coisa eu sei… quero fazer com ilustrinhas de canetinha. Sabe quando você finalmente se acha em uma técnica de pintura? Pois é, acho que achei a minha.
Gosto das canetinhas pela praticidade… elas dão um efeito meio aquarelado, mas sem o trabalho gigante que dá pintar com aquarela. Eu não tenho a menor paciência pra pegar godê, separar as tintas, colocar água nos potinhos, misturar as palhetas, testar as cores, diluir, lavar pincéis e ainda ter que esperar o desenho secar, tomar cuidado pra não borrar, usar máscara… coisa pra gente zen, o que, definitivamente, eu não sou. Por isso eu pinto com aquarela tipo uma vez no ano, geralmente quando sou “obrigada” em algum curso que estou fazendo, tipo o da Quanta. XD Já com as canetinhas, eu simplesmente destampo e coloro. Não tenho tantas opções para misturas as cores, mas a gama é boa e dá pra fazer umas sobreposições com lápis de cor, que quebram bem o galho. E olha que eu normalmente não uso nenhuma canetinha realmente boa, como Prismacolor ou Copic. Me viro com Magic Color (que é uma semi-profissa made in Brasil) e aquelas Prestocolor da Faber Castell. Comprei umas Pitt Artist da Faber (essas sim, foram mais caras), que são canetas com ponta pincel, que dão um bom suporte para detalhes, como cabelos e linhas finas.
É, materiais de desenho bons são sempre caros… mas dá pra comprar uns mais baratos e ir treinando enquanto você junta dinheiro pra comprar coisas melhores. Até porque, você não vai querer treinar usando canetas de 500 reais… melhor esperar a hora que os materiais baratos já não suprem as suas necessidades. Porque também não adianta comprar as coisas caras e nunca usar. Adoro usar o exemplo de um amigo meu que tem uma caixa de 120 cores de lápis Caran D’Ache (uma caixa de 12 cores custa uns 100 reais no Brasil, faça as contas) e se usou umas 5 vezes, foi muito. Fora que, numa caixa de 120 cores, existem uns 15 tons de cada cor básica, e alguns que, sinceramente, você vai morrer sem usar.
Por isso, escolha os seus materiais de acordo com as suas necessidades, ou você vai acabar comprando coisas que não vai usar. E eu sei bem, porque tenho várias coisas que comprei durante a faculdade e que estão enconstadas, porque nunca me aprimorei na técnica (como pastel seco… essa porcaria fica linda se souber usar, mas solta uma quantidade inominável de pó, que exige o uso de um fixador extra fedorento se você quer guardar seus desenhos sem que eles sujem toda a sua pasta). Enfim… teste os materiais com versões baratas, ache um do qual você goste e queira se aprimorar, invista nele e seja feliz.
Não é raro eu estar desenhando, ou alguém ver um desenho meu e soltar a frase: “Nossa, você tem o dom!”
Vou te contar que acho isso meio bizarro, mas esses dias eu fiquei pensando sobre isso. E realmente eu acho que é verdade. Não que eu tenha o dom, mas que existem pessoas que têm.
Quer dizer, existem as pessoas que são boas em algo porque têm o dom, e as que são boas porque se esforçam. E têm as que se encaixam em ambas as situações – têm o dom, e ainda se esforçam. Geralmente o último tipo são os melhores, e mais geniais. Apesar de que, tem gente que não se esforça e é foda, mas no fim, acaba deixando de lado seu dom para outras coisas (tipo um grande pintor que vai trabalhar num banco, porque pintar não dá dinheiro, então ele pára de se esforçar por isso). Ou seja, no fim, você precisa se esforçar, com ou sem o tal dom.
Mas, infelizmente, existe um limite de esforço para quem não têm o famigerado dom. O cara pode até ser bom no que faz, mas nunca será brilhante, como os que o têm. E isso serve pra tudo na vida: médicos, advogados, programadores de computador, limpadores de vidro, tratadores de zoológico, designers, fotógrafos, e claro, desenhistas.
E como você fala para uma pessoa que desenha há 10 anos, tentando entrar no mercado e se frustrando, – porque obviamente já chegou no limite de evolução pelo esforço, – que, filhinho, você não tem a porcaria do dom! Vai fazer outra coisa da sua vida que é melhor!
Mas não… a nossa sociedade tem essa coisa de dizer o tempo todo: corra atrás do seu sonho, não importa o que seja. Mas vou te contar, importa sim! Eu sempre me lembro daquela cena do filme Schreck 3, onde o Cavaleiro Sem Cabeça diz que o sonho dele é ser flautista.
Olha, eu sei que parece maldade isso, mas maldade é ver alguém que não têm futuro em uma coisa insistindo nela e tomando na cara repetidas vezes porque ninguém tem coragem de dizer que a pessoa deveria tomar outro rumo. Que nem precisa ser completamente diferente… se o cara é ruim de desenho, pode ser um excelente arte-finalista, e ele não é pior do que ninguém por causa disso. Ele só é bom em outra coisa.
E eu acho que cada um é bom em uma coisa, só tem que saber em quê. E ás vezes nem é naquilo que você mais gosta. Porém, é para isso que existem os hobbies, para que você faça o que você mais gosta. Infelizmente trabalhar com o que você mais gosta é pra poucos mesmo. Se você der sorte de, o que você mais gostar for o que você é melhor e isso ainda te sustentar, eu te digo: tu és uma pessoa abençoada.
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PS.1: Mas e aí, Julia, você tem ou não tem o dom de desenhar? Bom, eu gostaria muito de dizer que tenho. Só que eu não me esforço muito. Talvez eu seja um grande potencial desperdiçado e nem estou sabendo.
PS.2: Como puderam ver, finalmente comprei uma prancheta! Graças a ela, passei o final de mês mais pobre da minha existência. Mas agora tenho onde desenhar.
Fazia muito tempo que eu não ilustrava alguma coisa. Quando digo ilustrar, não é fazer um desenho qualquer que quero, mas sim, pegar um texto de outra pessoa e desenhar. =)
Esse é um livrinho para pré-adolescentes, com uma historinha sobre meninas(os) e seus conflitos. Assim como Meninas Malvadas, Gossip Girl e até Harry Potter. Ou seja, aquela fórmula infalível e que as leitoras adoram. O livro se chama As Mazinhas, e é escrito pela Tammy Luciano, que também é atriz. Ele é a adaptação de uma peça de teatro dela.
Eu fiz algumas ilustras para ela poder levar junto com o texto para mostrar nas editoras onde tentaremos publicação. Se tudo der certo, eu farei a capa e as outras ilustrações do livro.
Mudando um pouco de assunto, mas nem tanto.
Enquanto eu desenhava, no fim de semana, eu percebi o quanto estou enferrujada. Esse ano tem sido uma tristeza em termos de produção ‘desenhística’. Está certo que tenho trabalhado como designer de 8 a 12 horas por dia, e isso ajuda a produzir menos… hehe. Enfim… mas apesar da ferrugem, eu até gostei das ilustras. Talvez se eu estivesse ‘na minha melhor forma’, provavelmente elas teriam saído bem melhores. O problema está exatamente no que seria essa ‘melhor forma’.
Eu nunca fui muito de desenhar todo dia. Talvez o ano que mais desenhei nesses 3 últimos, foi 2006, por causa do meu trabalho de conclusão de curso na faculdade. Como eu mesma falei no post anterior, preciso de um estímulo forte, e fazer o tcc bem feito foi um bom motivo.
Fico pensando se eu desenhasse e produzisse todos os dias, o quanto meu desenho poderia estar melhor. Quando eu fazia fanzine, em 2000, 2001, foi a época que meu desenho mais evoluiu, e adquiriu características que até hoje eu tenho. Isso não quer dizer que o desenho daquela época seja melhor que o meu hoje – talvez seja -, mas de todos os meus desenhos velhos, eu desgosto menos dessa fase (porque antes dela, era tipo MUITO ruim, sabe?).
O que quero dizer é: se a gente não produzir SEMPRE, talvez nunca saiba o que seria o melhor que poderíamos fazer em algo. E isso vale pra tudo, até programas de computador. Provavelmente não sei mexer tanto no flash hoje como sabia ano passado, porque faz meses que não produzo (acho que essa conjugação verbal não existe, mas vocês entenderam) nele.
Bom, eu ia estender essa reflexão por outro assunto da mesma gama, mas acho que fica pro próximo post. =]




