Gostaria então de mostrar algo que já está pronto há um bom tempo, mas nunca cheguei a postar, porque é vídeo e eu sempre tinha preguiça de fazer upload no Youtube. Mas, enfim, tomei vergonha na cara e fiz! Uhul!
Esse é o vídeo final para o Curso Abril de Jornalismo, que fiz no início do ano. Era uma animação para um canal do site da Revista Recreio. Basicamente é uma animacão sobre um garoto que pode desenhar coisas na sua tablet (!) e elas criam vida. Logicamente a história é bem mais complexa, ele tem amigos, família, existem outros personagens, houveram vários outros roteiros, mas esse acabou virando o projeto. Enfim… espero que curtam. =)
Eu fiz desenho de personagem e cenários. A animação e storyboard é do meu amigo Samir Carvalho, que também desenhou personagens. O roteiro é do Filipe Vilicic e Francisco Passarelli, argumento de Gisela Blanco e do Samir. O design das outras peças do projeto é do Alberto Lins (ele também me ajudou com o ‘look’ dos personagens, o character design). Na verdade, todos palpitamos na história e no roteiro, mas esse são os créditos oficiais.
E a trilha sonora foi montada pelo incrível Daniel Zimmerman (que já tocou com o AFI em seus primórdios! hihi^^).
Eu sempre gostei de crafts, artesanado, culinária, coisas feitas à mão, etc. E um dia lendo o blog do .faso (.marcamaria), eu descobri um blog muito legal, o Superziper. São duas amigas, Cláudia e Andrea. Uma escrevendo de Londres e a outra de São Paulo, sobre diversas coisas: costura, tricô, comidinhas, fofurices, bonecas, lojas bacanas, customizações, etc.
Gostei tanto tanto, que coloquei nos meus feeds do Google Reader e leio os posts novos todos os dias. E de vez em quando ainda fico fuçando nos arquivos e sempre acho algo legal.
Esses dias convidaram uma blogueira para postar lá, a Emy Kuramoto, do Tofu Studio. A Emy faz chapéus, carteiras e bolsas lindíssimas, com acabamento primoroso e tecidos escolhido a dedo. Ela fez vários posts bacanas, mas teve um que me chamou particularmente a atenção:
‘Divagações sobre o que é ser crafter e porque consumir crafts’.
Ela fala sobre a idéia errada que as pessoas costumam ter de quem trabalha com artesanado, costura e afins. Como se alguém só pudesse fazer isso por falta de opção, e não por escolha, e porque isso te faz feliz.
Eu acho que esse texto resume muito bem como eu me sinto em relação a isso… e um pouco da minha vontade de largar tudo e viver de fazer as minhas coisas, sabe? Quem tiver interesse, leia, vale muito a pena. =) Se não, pelo menos visitem a loja da Emy ou outro artigos do Superziper.
Complementando o último post, sobre ser freelancer.
Muita gente tem dificuldade em calcular quanto cobrar por um trabalho. O ideal, eu acho, é cobrar por hora. Se você sabe mais ou menos quantas horas vai gastar para fazer aquele determinado trabalho, você multiplica pelo seu preço de hora e tem um valor estimado. Mas sempre cobre a mais, porque 100% dos clientes vão querer barganhar esse valor.
Pra calcular o custo da sua hora, você deve somar TODAS as suas despesas básicas (material, luz, internet), e a partir daí, colocar seu preço em cima. Se sua hora básica custa 10 reais (ou seja, 10 reais pagam todas as suas despesas naquela hora), você vai cobrar 10 + X, sendo X o seu salário. Se você cobrar 10, vai trabalhar de graça, pois isso vai cobrir apenas despesas que você já teve para fazer aquele trabalho (espero não estar sendo redundante).
Vamos dar um exemplo: você tem que fazer um desenho, que você sabe que vai te tomar cerca de 2 horas. Você cobraria 20 reais (horas básicas) + 100 reais (valor do trabalho em si – 50 reais a hora, seu salário) + 30 reais (valor de negociação), que dá um total de 150 reais. Se o cliente chorar, você faz 140. Se chorar mais, você faz 130. Aí ele vai querer 120 e você fecha o negócio pelo valor apropriado. Não estou dizendo que esses são os valores que você vai cobrar de verdade. Apenas você, e mais ninguém, sabe o valor da sua hora, e do seu trabalho.
Update: Esse valor de hora básica só vale se você trabalha em casa e usa seu próprio material. Existem empresas que contratam freelas e os chamam para trabalhar na própria estrutura, e já têm um valor fixo de hora ou dia para esses profissionais. Cabe a você decidir se esse valor vale a pena para aceitar o trabalho.
Se optar cobrar por trabalho, você pode fazer uma tabela de preços com as coisas mais comuns que as pessoas te pedem, e cobrar mais ou menos de acordo com a complexidade/tipo de trabalho. Mas, no mesmo caso da hora, sempre cobre aquele mínimo de despesas e a margem extra para negociar.
Mais alguma diquinhas básicas de sobrevivência:
- Um desenho para o logo da lojinha da esquina, vale bem menos que um para a campanha da Coca-Cola. Assim como um texto para o jornal do bairro, vale menos que um para a Folha de São Paulo. Tenha em mente o tipo de cliente na hora de colocar um preço.
- Não adianta um valor muito alto pra um cliente que não tem como te pagar, mas também não aceite trabalhar por qualquer coisa, apenas para trabalhar. Lembre-se que você precisa do cliente, mas ele precisa mais de você. Nada mais frustrante que ralar igual um condenado e receber mixaria. Trabalhar por ‘divulgação’ é furada (a não ser que você esteja fazendo um favor para um amigo ou um projeto pessoal, trabalhar de graça não vale o stress). Até porque, empresas sérias pagam pelos trabalhos, mesmo que não os usem.
- Nunca pegue algo que você não dá conta de fazer, mesmo que o cliente pague bem. Honre seus compromissos. Se não você queima seu filme, e perde um bom cliente que poderia te chamar mais vezes.
- Não adianta querer pegar grandes clientes sem ter um trabalho realmente bom, e conhecido (é por isso que um desenho do Ziraldo vale mais que o meu).
- Se o cliente quer nota fiscal, lembre-se que você pagará impostos (e deve incluí-los no custo do seu trabalho).
- Se o prazo é apertado e você terá que virar a noite, cobre adicional noturno.
- Algo que será publicado uma vez, custa bem menos que algo que será publicado várias vezes, ou em uma tiragem bem maior. Saiba negociar os direitos de reprodução da sua imagem/texto, ou que for. E tenha isso registrado por escrito em contrato. Se não você faz um desenho para sair num canto de página, ele aparece na capa, e você não recebe nada a mais por isso.
- Nunca (repito, NUNCA) entregue seus originais para um cliente. Ele está pagando pela criação e reprodução da imagem, não pela obra original. Se você quiser vender seus originais, cobre um preço à parte, como se vendesse uma obra de arte.
- Se um cliente não gostou do seu trabalho, e pediu para você mudar (e acredite, ele VAI PEDIR), engula o orgulho e MUDE . Você está fazendo algo pra ele, e não pra você. Mas lembre-se de incluir um certo número de mudanças no orçamento escrito, para que ele não abuse desse recurso (lógico que mudanças mínimas podem ser feitas de graça). A partir desse número, cobre um adicional a cada mudança pedida. Isso evita mudanças desnecessárias ‘só pra ver como vai ficar’. Se o cliente quer que você refaça o trabalho, você pode pedir um adiantamento antes de mudar, porque se não, corre o risco dele simplesmente desistir de você e não querer te pagar.
- Seja gente boa, aceite críticas, saiba argumentar, mas sem parecer arrogante. O cara pode ser o maior idiota do mundo, mas ele está te pagando, certo? Coloque-se no lugar dele: se você estivesse contratando alguém pra trabalhar pra você, talvez você agisse igual. E mesmo que você nunca mais vá trabalhar com ele, tente manter boas relações, ou ele pode falar mal de você para outro cliente em potencial.
Update 2: Dois sites indicados pela Julia Morena, em comentário no post anterior, que podem dar uma ajudinha: freelanceswitch.com (em inglês, mas tem tudo que um freela possa precisar, inclusive ofertas de trabalho no mundo todo) e efetividade.net (várias dicas para otimizar seu trabalho ou facilitar sua vida profissonal – em casa ou em escritório). Dei uma olhada neles, sem me aprofundar muito, mas acho que ambos merecem uma visita.
Esses dias eu li uma matéria na revista Gloss, e depois a Tati fez um post no blog dela sobre ser freelancer. A princípio, parece uma coisa boa: trabalhar em casa, fazer seus horários… mas também tem seus problemas, como trabalho num mês e no outro não, nenhuma garantia trabalhista, atrasos no pagamento. Por isso, antes de largar seu emprego ‘normal’ e seguir como freela, é necessário ter alguns cuidados.

Charge: freelanceswitch.com
- Um bom portfolio fala mais que mil palavras. Tenha sempre uma boa amostra (sempre os MELHORES) de seus trabalhos, e mantenha-se atualizado. Não coloque no portfolio trabalhos que você não quer fazer e seja coerente no tipo de trabalho mostrado para cada cliente. Não adianta mostrar página de quadrinhos de super herói para agências de publicidade, ou ilustrações adultas para editoras infantis.
- Ter uma poupança é fundamental. Você precisa se manter até receber o primeiro pagamento, certo? Por isso, faça as contas de quanto você precisa para viver em um mês e junte o dobro disso. Só assim você estará seguro caso o primeiro pagamento demore. Tem empresas que só pagam 30 dias após o recebimento do trabalho, ou te colocam na folha de pagamento do próximo mês. Trabalhos para órgãos públicos, podem demorar até 2 meses. Por isso, ter uma grana guardada é algo necessário. E não só para começar. Guarde sempre o que ‘sobrar’, para meses que o trabalho for escasso.
- Lembre-se que freelancers não têm nenhuma garantia trabalhista do governo. É bom recolher INSS por sua conta, nem que seja o mínimo. Caso você sofra um acidente e não possa trabalhar mais, pelo menos um salário mínimo de pensão está garantido. Fora que um dia você poderá se aposentar.
- Algo MUITO importante: organize seu tempo. Tenha hora para acordar, pra começar e para parar. A não ser que seja algo muito urgente e você precise virar uma noite, não faça disso sua rotina. E tente não ficar de pijama o dia todo. Você está em casa, mas não está de férias.
- Faça contratos com seus clientes. Não aceite nada no boca a boca. Faça orçamentos, imprima ou envie por e-mail para o cliente aprovar, sempre por escrito. Tenha TUDO registrado. E sempre coloque data de validade no seu orçamento (até 30 dias).
- Acerte muito bem as datas de entrega do trabalho e de pagamento. Dependendo do serviço, cobre uma parte adiantado. Acerte preço de modificações no trabalho fora do combinado. Você pode comprar um gerador de boleto bancário para enviar para os clientes com vencimento na data marcada para o pagamento. Daí, caso ele atrase, o banco cobrará multa e juros. Alguns cliente exigem nota fiscal do serviço, veja se você tem condições de oferecer isso (é necessário abrir empresa, ou usar a de alguém que você conheça, e claro, pagar impostos).
- Se quiser tirar férias, se organize com antecedência, junte dinheiro, e procure tirar a folga em uma época do ano em que você seja menos procurado (para não acabar perdendo um trabalho bom ou um cliente).
Bom, essas são as minha dicas, pelo que já vivi, e por vários amigos que trabalham como freelas. Espero ajudar alguém com elas. Não, eu não trabalho mais como freela, eu sou designer auxiliar do site da revista Super Interessante. Mas nunca se sabe o dia de amanhã, né? hehe
Update: passeando no google eu achei esse site freela.com.br, onde vários profissionais freelas colocam seus portfolios diponíveis por categorias e há várias ofertas de trabalhos. Também é uma comunidade, onde as pessoas visitam e avaliam seu portfolio, escrevem depoimentos, etc. Parece bem interessante, acho que vale pelo menos a visita.
Coisinhas que fazem a gente ganhar o dia: clique aqui para ver.
Gente, sei que na última semana eu negligenciei um pouco o blog por conta do treinamento que tive que fazer – de 18 a 22/08 -, mas daí tudo acabou e eu continuei sem postar, sabe-se lá porquê (preguiça, falta de assunto, preguiça).
Como eu saí da minha redação antes do esperado, eu estou essa semana em modo stand by. Então, ontem eu fui encontrar com o .faso na Fnac. A gente já havia se encontrado uma vez pra ele me entregar o meu boneco do Bebê Brócolis (veja posts anteriores), e também conversamos bastante pelo GTalk. Ele é ‘bonequeiro’, e está começando a dar vida às criações dele pela sua Marcamaria.
Ele levou algumas de suas belezinhas pra eu ver, como a Vovólima, o Quaqui e o Zumbigo (el zumbi amigo! =D Adoro!). Como ele fez o BB pra mim e muita gente gostou, pensei em pedir para ele produzir para venda, e negociaríamos os meus direitos autorais e tal.
Mas ele é como eu: não quer apenas fabricar bonecos… ele quer desenvolver personagens e suas histórias. Por isso, nossa parceria será muito mais do que ele simplesmente fabricar os meus bebês. Nós queremos o design por um mundo melhor. Nós queremos levar um pouco de alegria e amor feitos à mão, através de nossos pequenos seres de pano. Aguardem algo bem bacana nos próximos meses vindo disso, podem ter certeza.
E pra quem quer encomendar o seu Bebê Brócolis, pode mandar um e-mail pro faso@marcamaria.com.
Nada como ver um personagem seu ganhando vida! Ainda mais pelas mãos de um cara tão talentoso na confecção de bonecos como o .faso, do .marcamaria. Veja aqui estão as fotos do processo de criação.
Guto, o Bebê Brócolis, surgiu de um sonho que tive. Desenhei, as pessoas gostaram, e eu sempre quis tranformá-lo em boneco. Foi então que o .faso me fez a proposta.
Pessoalmente achei MUITO fofinho. Acho que foi uma parceria muito boa. Vou negociar com ele, para fazermos bonecos pra vender. Quem quer levanta a mão!
Completando o post de ontem, a pedidos da minha xará, Julia Morena.
“Já que esse é um post pra falar mais sobre seu desenvolvimento profissional, como que é a sua rotina de desenho? Você dedica grande parte do seu tempo livre pra desenhar? Ou se obriga a desenhar X números de horas? Ou é tudo muito natural e pouco sofrido? XD”
Bom… eu dedico grande parte do meu tempo ‘livre’ para tarefas domésticas… rs.
Me mudei pra SP em Março deste ano, e confesso que até Junho eu não estava desenhando muito (não estava desenhando quase nada, na verdade). Eu trabalhava como designer gráfica na revista Capricho 8 a 10 horas por dia, sendo que em semana de fechamento eu saía da redação 22h, 23h, às vezes 00h. Fiz 2 ilustras pra revista durante esse tempo, apenas (e outras 3 por encomenda, pra um projeto de livro). E ainda tinha a casa pra cuidar, por isso, quando eu ficava ‘à toa’, queria dormir e ver TV.
No meio de Junho eu saí da Capricho e fui pra Abril Coleções, onde o ritmo de trabalho é diferente de uma revista. Aqui não existe semana de fechamento, apenas prazos a serem cumpridos. Meu horário é mais ‘normal’ e tenho vários momentos de tempo livre. Aqui rola de dar uma rabiscada no caderno de esboços de vez em quando, mas não faço nenhuma ilustra para o trabalho. Ou seja, não é uma rotina de desenho descente.
Foi quando resolvi entrar no Curso de Pintura e Ilustração da Quanta Academia de Artes, porque aí eu me obrigaria a desenhar, nem que fosse 4 horas por semana, durante a aula. Tem funcionado (levando em conta que fiz apenas 3 aulas ainda), e ainda levo ‘dever de casa’ pra fazer durante a semana, quando dá tempo.
Mas eu não tenho trabalhado efetivamente com desenho desde o ano passado, por isso, tudo que tenho feito é pessoal mesmo. Desde que entrei na Quanta tenho TENTADO rabiscar pelo menos um pouco por dia. O ideal mesmo, se você quer trabalhar com desenho, é se obrigar SIM, a desenhar algumas horas por dia, mas eu nunca tive essa disciplina.
Ou seja, o que tenho desenhado ultimamente tem sido bem natural, porque eu rabisco o que vem na cabeça durante aqueles minutinhos livres do dia… mas nem por isso é pouco sofrido… hehe.
Obviamente que eu gostaria de ‘poder estar desenhando’ (frase telemarketing) e treinando bem mais, mas no momento continuo fazendo o que dá, quando dá. Espero que eu consiga voltar a ilustrar descentemente um dia. =)
Recebi um e-mail da Carol, me perguntando sobre minha jornada como designer, e resolvi transformar em post. =)
Eu formei em Design Gráfico na UEMG em dezembro de 2006. Trabalhei a maior parte do tempo fazendo interfaces em Flash, desenhos e animações pra web (como consta no meu currículo). Daí no final de 2007 eu me inscrevi para o Curso Abril de Jornalismo, passei na seleção, me mudei pra SP e fiz o curso. O trabalho de conclusão foi uma animação para o site da revista Recreio.
Depois desse curso eu fiquei na Editora Abril como trainee de design, e agora trabalho em diagramação de revistas e peças publicitárias. Trabalhei 3 meses na revista Capricho (veja meu portfolio no Flickr) e agora trabalho na Abril Coleções (no momento, com a Cinemateca Veja).
Eu arranjei meu primeiro estágio no segundo período de faculdade, e a partir daí, fui montando portfolio, correndo atrás de oportunidades, e as coisas foram acontecendo. No momento estou meio focada no programa de trainee, mas eu queria fazer uma especialização em Design Digital na Faap, espero que ano que vem (vai depender de diverso$ fatore$).
O mercado de design é imenso… é preciso focar no que se quer fazer, e ir em frente. Procurar se especializar, montar um portfolio bacana com aquilo no qual pretende trabalhar e ir atrás dos lugares que podem te oferecer tais oportunidades.
Obviamente que os primeiros trabalhos não serão aqueles ‘dos sonhos’ (ou serão, vai que dá sorte, né?), mas sempre é uma chance para crescer e aprender, ou no mínimo adicionar mais algumas coisas no portfolio, até chegar onde quer.
E duas dicas importantes (pode parecer clichê, mas é verdade): NÃO SE ACOMODE e não desista NUNCA! Se não estiver satisfeito com o seu trabalho, procure outra coisa. Não deixe aquela grana certa no fim do mês te impedir de correr atrás de algo melhor! Você não precisa pedir demissão para procurar, certo? Esteja sempre com seu portfolio atualizado para possíveis entrevistas.
Eu trabalho desde 2002 e não fiquei mais de um ano em nenhum estágio. Sempre corri atrás de algo diferente quando achava que o trabalho tinha estagnado no aprendizado, e mudei sempre que me apareceu uma oportunidade nova. Aproveite o tempo da faculdade, ele serve para você estudar e ganhar experiência. Se você ficar 4 anos fazendo estágio no mesmo lugar, isso pode matar seu currículo. A não ser que você trabalhe num lugar onde você realmente goste e se desenvolva, e que exista a oportunidade REAL de você ser contratado depois que acabar o estágio (porque se não, acaba seu contrato, te dispensam e colocam outro estagiário no seu lugar).
Terminou a faculdade? Hora de enfrentar o mundo real… e sem experiência e um bom portfolio, você não consegue um bom emprego/trabalho freela. Se você tiver um portfolio chulé, será contratado por uma empresa chulé, com salário chulé, para trabalhos chulé (com clientes piores que chulé). Portanto, invista em você e na sua formação profissional DIREITO. E isso não vale somente pra designers.
Não é raro eu estar desenhando, ou alguém ver um desenho meu e soltar a frase: “Nossa, você tem o dom!”
Vou te contar que acho isso meio bizarro, mas esses dias eu fiquei pensando sobre isso. E realmente eu acho que é verdade. Não que eu tenha o dom, mas que existem pessoas que têm.
Quer dizer, existem as pessoas que são boas em algo porque têm o dom, e as que são boas porque se esforçam. E têm as que se encaixam em ambas as situações – têm o dom, e ainda se esforçam. Geralmente o último tipo são os melhores, e mais geniais. Apesar de que, tem gente que não se esforça e é foda, mas no fim, acaba deixando de lado seu dom para outras coisas (tipo um grande pintor que vai trabalhar num banco, porque pintar não dá dinheiro, então ele pára de se esforçar por isso). Ou seja, no fim, você precisa se esforçar, com ou sem o tal dom.
Mas, infelizmente, existe um limite de esforço para quem não têm o famigerado dom. O cara pode até ser bom no que faz, mas nunca será brilhante, como os que o têm. E isso serve pra tudo na vida: médicos, advogados, programadores de computador, limpadores de vidro, tratadores de zoológico, designers, fotógrafos, e claro, desenhistas.
E como você fala para uma pessoa que desenha há 10 anos, tentando entrar no mercado e se frustrando, – porque obviamente já chegou no limite de evolução pelo esforço, – que, filhinho, você não tem a porcaria do dom! Vai fazer outra coisa da sua vida que é melhor!
Mas não… a nossa sociedade tem essa coisa de dizer o tempo todo: corra atrás do seu sonho, não importa o que seja. Mas vou te contar, importa sim! Eu sempre me lembro daquela cena do filme Schreck 3, onde o Cavaleiro Sem Cabeça diz que o sonho dele é ser flautista.
Olha, eu sei que parece maldade isso, mas maldade é ver alguém que não têm futuro em uma coisa insistindo nela e tomando na cara repetidas vezes porque ninguém tem coragem de dizer que a pessoa deveria tomar outro rumo. Que nem precisa ser completamente diferente… se o cara é ruim de desenho, pode ser um excelente arte-finalista, e ele não é pior do que ninguém por causa disso. Ele só é bom em outra coisa.
E eu acho que cada um é bom em uma coisa, só tem que saber em quê. E ás vezes nem é naquilo que você mais gosta. Porém, é para isso que existem os hobbies, para que você faça o que você mais gosta. Infelizmente trabalhar com o que você mais gosta é pra poucos mesmo. Se você der sorte de, o que você mais gostar for o que você é melhor e isso ainda te sustentar, eu te digo: tu és uma pessoa abençoada.
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PS.1: Mas e aí, Julia, você tem ou não tem o dom de desenhar? Bom, eu gostaria muito de dizer que tenho. Só que eu não me esforço muito. Talvez eu seja um grande potencial desperdiçado e nem estou sabendo.
PS.2: Como puderam ver, finalmente comprei uma prancheta! Graças a ela, passei o final de mês mais pobre da minha existência. Mas agora tenho onde desenhar.
Você precisa deixar de ser amador”.
Repita sempre essa frase como se fosse um mantra, se algum dia você pretende se tornar um ilustrador/desenhista, e viver disso.
Li esse texto – clique aqui para ver – no blog da Tati Viana, chamado Dicas para Ilustradores.
Achei tudo que ela escreveu bem pertinente, e ela fala de um jeito informal, descontraído, fácil de ler (meio dando bronca, mas tem gente que precisa de bronca mesmo!). É bom para quem pretende começar na área – ou continuar, ou dar certo, se estiver fazendo algo errado.
Daí, depois que vc tiver lido, voçê pode voltar aqui no meu blog e ler meus comentários sobre o texto dela, que podem acrescentar algo.
1. Acho que fazer um curso superior ajuda. Não resolve! Mas ajuda. Não necessariamente para você ganhar mais, ou arrumar trabalho, porque nessa área realmente isso não faz muita diferença. Mas fazer faculdade é bom para ampliar os horizontes, e adquirir conhecimento. E conta um pouco quando você diz para um cliente que é formado por uma universidade boa, como USP, Faap, UFMG, UEMG, etc. Também se faz contatos durante a faculdade. Você conhece pessoas, que podem te indicar pessoas, e que podem ser seus clientes no futuro. Mas o que conta mesmo, é seu portfolio. E trabalhos de faculdade podem te ajudar a montar um bacana. Mas não é necessário. Se você acha que um curso na faculdade só vai tomar seu tempo e seu dinheiro, melhor não fazer. Meu namorado/marido largou a faculdade porque achava que ela tomava tempo que ele podia usar trabalhando. E no caso dele, era pura verdade. Hoje ele trabalha na Marvel. Já eu, concluí a facul, e hoje sou trainee editorial na Abril. Pra mim, valeu muito. Isso vai depender muito das suas necessidades.
2. Cuidado com o que você publica na internet. A Tati não comentou sobre isso, mas ela mesma toma alguns cuidados, que todo desenhista deveria tomar. Marque seu trabalho. Coloque marcas d’água e assine tudo que você fizer e quiser colocar na net. Nunca coloque imagens em alta resolução em sites. Pode parecer presunção, mas o que está na internet é de graça pra quem quiser ver e baixar. Vira e mexe aparece um engraçadinho que usa suas coisas sem pedir sua permissão. Por isso, não facilite. Use e abuse da internet e dos recursos de divulgação que ela oferece, mas tome cuidado para que isso não venha a te prejudicar. Infelizmente algumas pessoas são más. =P
É isso, espero ter ajudado. =]
