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06 08
Arquivado em Desenho, Design, Vida Diária às 13:33 por Julia

Fazia muito tempo que eu não ilustrava alguma coisa. Quando digo ilustrar, não é fazer um desenho qualquer que quero, mas sim, pegar um texto de outra pessoa e desenhar. =)

Esse é um livrinho para pré-adolescentes, com uma historinha sobre meninas(os) e seus conflitos. Assim como Meninas Malvadas, Gossip Girl e até Harry Potter. Ou seja, aquela fórmula infalível e que as leitoras adoram. O livro se chama As Mazinhas, e é escrito pela Tammy Luciano, que também é atriz. Ele é a adaptação de uma peça de teatro dela.

Eu fiz algumas ilustras para ela poder levar junto com o texto para mostrar nas editoras onde tentaremos publicação. Se tudo der certo, eu farei a capa e as outras ilustrações do livro.

Mudando um pouco de assunto, mas nem tanto.

Enquanto eu desenhava, no fim de semana, eu percebi o quanto estou enferrujada. Esse ano tem sido uma tristeza em termos de produção ‘desenhística’. Está certo que tenho trabalhado como designer de 8 a 12 horas por dia, e isso ajuda a produzir menos… hehe. Enfim… mas apesar da ferrugem, eu até gostei das ilustras. Talvez se eu estivesse ‘na minha melhor forma’, provavelmente elas teriam saído bem melhores. O problema está exatamente no que seria essa ‘melhor forma’.

Eu nunca fui muito de desenhar todo dia. Talvez o ano que mais desenhei nesses 3 últimos, foi 2006, por causa do meu trabalho de conclusão de curso na faculdade. Como eu mesma falei no post anterior, preciso de um estímulo forte, e fazer o tcc bem feito foi um bom motivo.

Fico pensando se eu desenhasse e produzisse todos os dias, o quanto meu desenho poderia estar melhor. Quando eu fazia fanzine, em 2000, 2001, foi a época que meu desenho mais evoluiu, e adquiriu características que até hoje eu tenho. Isso não quer dizer que o desenho daquela época seja melhor que o meu hoje – talvez seja -, mas de todos os meus desenhos velhos, eu desgosto menos dessa fase (porque antes dela, era tipo MUITO ruim, sabe?).

O que quero dizer é: se a gente não produzir SEMPRE, talvez nunca saiba o que seria o melhor que poderíamos fazer em algo. E isso vale pra tudo, até programas de computador. Provavelmente não sei mexer tanto no flash hoje como sabia ano passado, porque faz meses que não produzo (acho que essa conjugação verbal não existe, mas vocês entenderam) nele.

Bom, eu ia estender essa reflexão por outro assunto da mesma gama, mas acho que fica pro próximo post. =]

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03 07
Arquivado em Desenho, Design, Trabalho às 16:26 por Julia

Achei isso no fotolog da Fernanda Chiella, e achei interessante postar e divulgar para o máximo de pessoas possíveis.

É um texto deveras importante pra quem trabalha ou quer trabalhar com Ilustração. Esse é mais específico para autores, mas também serve para a clientela. O texto foi adaptado por Anderson Souza, Lucas de Abreu e Moá. E não, o texto não é direcionado a nenhuma ocorrência ou pessoa específica, antes que alguém se ofenda.

Vivendo e aprendendo
Adaptado livremente do texto original por Wen-M

Cada vez aparecem mais oportunidades em listas de discussão procurando “artistas” para qualquer coisa. Dos serviços gráficos aos quadrinhos ou publicidade. Mais pessoas estão se vendo na necessidade de contratar o serviço de um ilustrador. Mas o que não estão fazendo, infelizmente, é imaginar quão raro alguém com estes talentos particulares pode ser.

Quantas pessoas você conhece, pessoalmente, com o talento e a habilidade para executar os serviços você necessita? Uma dúzia? Meia dúzia? Uma pessoa? Nenhuma? Mais do que provavelmente, você não conhece nenhuma. Se não, não existiriam as vagas nas listas de discussão e sites afins. Mas esta não é realmente uma surpresa. Nos Estados Unidos, por exemplo, para cada ilustrador profissional há dois neuro-cirurgiões. Há onze vezes mais mecânicos certificados do que ilustradores. Há setenta vezes mais trabalhadores em tecnologia da informação do que, adivinhe… ilustradores.

Assim, visto que esses são profissionais raros, e conseqüentemente em menor quantidade no mercado, faria sentido pedir que um mecânico conserte seu carro de graça? Você conseguiria, por exemplo, ir até uma concessionária e “comprar” o último modelo disponível, zero quilômetro, argumentando que o seu pagamento seria a possibilidade de “divulgação” porque você dirige o veículo por aí? Você ofereceria a um neuro-cirurgião a “oportunidade” de adicionar seu nome a seu “portfólio” como o pagamento para remover um tumor no seu cérebro? Talvez você pudesse oferecer “uns trocados” pelos “materiais” utilizados. Que pechincha! Mas felizmente, as coisas funcionam de uma maneira muito diferente disso e nenhuma dessas alternativas seriam consideradas plausíveis por pessoas sensatas.

Ilustradores são profissionais que estudaram, treinaram e trabalharam por anos pra aprimorar suas técnicas, assim como os médicos, engenheiros e advogados. Assim, considerando-os dessa forma, lidando com eles desta maneira, qualquer tratamento que se dê sem o total respeito e reconhecimento do seu trabalho é, além de um insulto, uma irracionalidade. O ilustrador segue regras, como nas profissões previamente citadas. São regras comerciais, financeiras, administrativas, contábeis, legais, éticas e até mesmo pessoais. É um negociador do melhor produto que ele pode dispor: seu próprio talento.

Coisas que todos deveriam saber:

- Não é uma “grande oportunidade” para um profissional ter seu trabalho visto em sua revista (ou website, parede do escritório, etc). É uma “grande oportunidade” pra quem contrata ter esses trabalhos lá.

- Não é inteligente procurar um “estudante” ou “iniciante” para obter mão-de-obra barata ou até mesmo gratuita. É insultante. Não para o profissional, mas para o próprio aprendiz. Eles podem estar “aprendendo”, mas não significa dizer que não devem ser pagos pelo seu trabalho. Todos foram “aprendizes” algum dia. Até mesmo você.

- A chance de ter seu nome em algo que vai ser visto por outras pessoas, não importa em quantos lugares nem quantas vezes, não é um incentivo válido. Muito menos “agregar valor ao portfólio”. Profissionais fazem isso todo o tempo, todos os dias, logo após serem pagos por seu trabalho. Não é uma recompensa. É o seu direito.

- Não pense que está dando ao profissional a “grande chance de trabalho”. Assim que ele olhar um pouco melhor a sua proposta, vai aceitar a de alguém que valoriza seu próprio negócio ou produto e conhece a importância de bem remunerar quem cuida da sua imagem.

- É fato que há mais trabalhos precisando de profissionais talentosos do que pessoas que possuem tais habilidades.

- Aprendizes precisam, certamente, de experiência. Mas não precisam, em absoluto, literalmente doar os seus trabalhos. Na verdade, não sendo devidamente remunerados, eles não estão aprendendo uma parte da profissão essencialmente necessária. Se experiência e domínio são exigidos, deve-se estar preparado pra pagar pelos serviços que serão recebidos. A única lição que se aprende trabalhando de graça é: “Nunca trabalhe de graça”.

- Última, mas não menos importante: Alguns clientes poderão solicitar “trabalhos para consideração”. Algumas vezes parecendo “concursos”. Na grande maioria dos casos, não passam de aproveitadores à procura de profissionais que submetam seus trabalhos a fim de “vencer” o “concurso” ou “serem escolhidos” para algum serviço. Muitas vezes, além dos concursos não pagarem, ou não pagarem o suficiente, se apropriam livremente dos direitos autorais da obra, ou ainda encontram alguém para “trabalhar”, alguém “incrivelmente barato” porque não tem talento ou originalidade no que faz, reproduzindo sempre as mesmas coisas, os mesmos trabalhos, ou até mesmo fazendo algumas pequenas modificações nos trabalhos de outros para entitulá-los como trabalho original. Ninguém será pago. Ninguém “vence o concurso”. As únicas pessoas que ganham são as que, inescrupulosamente, fazem esses anúncios. Nos Estados Unidos chama-se “Spec-Work” (de especulação). No mínimo uma grande perda de tempo, e no máximo uma grande dor de cabeça.

Evitem pessoas que não têm a intenção de pagar por trabalho. Não importa se uma “grande empresa” ou apenas um conhecido que precisa de um “rabisco” na parede do quarto. Eles precisam de você. Diga não à arte gratuita. Valorize sua profissão e seu longo processo de aprendizado.

Para aqueles que procuram alguém para trabalhar de graça: Acorde e junte-se ao mundo real. Não prejudique a si mesmo e aos seus companheiros de profissão.

E mais algumas considerações sobre o texto feitas pela Fernanda Chiella, respondendo a comentários, as quais eu concordo (fiz algumas adaptações tirando algumas palavras “impróprias”, hehe).

“Todo mundo precisa de trabalho, mas o que eu quis dizer foi referente a quem não quer pagar mesmo. O lance é que ilustração mexe muito, bem dizer DEMAIS com o ego. Daí o que acontece é que o ‘contratante’ (ou só ‘tratante’ no caso) infla tanto o seu ego com ‘ah, mas você vai aparecer na capa’ ou ‘ah, mas todo mundo vai ver seu trabalho… eu já disse que amo o teu estilo?’ … que você acaba esquecendo que foi ele que veio até você primeiro! E que sem a sua arte, a capa seria uma folha branca com textos de chamada, a camiseta não teria estampa, o jogo não teria gráficos, etc. Enfim, tem gente que aceita trabalhar de graça… por ego!”

“Elogio é bom e todo mundo gosta, mas ficar acostumado e acomodado nunca é bom. Mesmo sempre sabendo que vou ser uma eterna aprendiz, eu mesma já fiquei bem prostituta da face quando vieram me criticar nas primeiras vezes, mas agora já estou mais relax (espero).”

“Quando ninguém quer pagar pelos trabalhos porque acham muito caro, alguns clientes dizem aquela frase clássica “Ah! Meu sobrinho pode fazer de graça ele gosta de desenhar também”. Pra esse tipo de frase eu tenho uma resposta bem legal. Peça pro seu sobrinho fazer então. Eu poderia mencionar que o seu sobrinho “provavelmente” não passa horas sentado numa cadeira estudando e praticando religiosamente desenho, que ele só desenha ‘por diversão’ ‘quando quer’, que ele não tem a mínima preocupação com prazos, contratos e demais burocracias, nunca ouviu falar em direito autoral, e é bem provável que o motivo dele cobrar tão barato seja porque ele mora com os pais e não precisa pagar as contas nem as próprias cuecas também. Por isso que pra ele o custo do desenho é ‘de graça’ e ele pode cobrar pouco. Se não por alguma dessas razões, por todas. Mas quem sou eu pra falar… quando o serviço final ficar a porcaria que “provavelmente” vai ficar, não venha reclamar pra mim.”

Mari Leonardelli & Blah!Comunicação